31.5.06

Movimento contra a censura continua no Rio de Janeiro

Fora do CCBB e das ruas, a imagem da obra "Desenhando em terços", da artista plástica Márcia X, chegará às passarelas ilustrando camisas e chaveiros da nova coleção da Daspu, a ser lançada no dia 9 de junho. A estilista Rafaela Monteiro, da grife Daspu, vai tornar a obra de Márcia X fashion, na coleção "Daspu na pista/BR-69", inspirada nos caminhoneiros. "Eles são muito religiosos. Têm terços, pés de coelho e figas, tudo a ver com a obra. E queremos apoiar este movimento contra a censura:", diz Rafaela.

Um mês após iniciada a polêmica da censura à obra, na época em cartaz na mostra "Erótica - os sentidos da arte", no CCBB, a imagem dos dois rosários que formam a imagem de dois pênis sobrepostos estava representada em 70 cartazes espalhados pela cidade, e mais uma vez foi censurada, desta vez pelo prefeito do Rio de Janeiro César Maia.


A retirada dos cartazes irritou Márcio Botner, artista e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ele, com seus sócios Ernesto Neto e Laura Lima, proprietários de uma galeria, protestaram contra as duas censuras. "Fiquei chocado. Os cartazes mostram uma obra de arte, que tem a capacidade de suscitar discussões filosóficas, poéticas e políticas, mas sempre abrindo o diálogo. A retirada das obras é mais uma vez um ato arbitrário e vertical, que não permite a criação desse diálogo. Acho que a obra da Márcia X é tão potente que efetivamente parece desnortear as pessoas, o que é um bom sinal", disse Botner.

Viúvo da artista critica a poluição visual da cidade

Segundo o viúvo de Márcia X., Ricardo Ventura, a obra não desrespeita a religião. Ele disse ainda que a censura da obra trouxe uma repercussão mundial negativa para o CCBB. E criticou a poluição visual da cidade, "se o prefeito quisesse mesmo limpar a cidade, deveria retirar todos os cartazes que provocam poluição visual e desrespeitam o Código de Posturas. Retirar apenas o trabalho, que não teve qualquer intenção de desrespeitar a religião, é errado. Ela relacionou o catolicismo com elementos de outras religiões, nas quais a energia sexual é considerada sagrada".

Festival Mix

A discussão promete ganhar as ruas de novo, com o possível cancelamento do festival Mix Brasil, de cinema e vídeo sobre a diversidade sexual, que há quatro anos acontece no CCBB, como informou Joaquim Ferreira dos Santos, em sua coluna no GLOBO, "esse tipo de censura assusta muita gente. Recebemos muita solidariedade da classe artística", diz o viúvo de Márcia X., Ricardo Ventura. E completa, "não sei quem fez os cartazes, mas devem usado a imagem do site da Márcia, que tornamos pública para que as pessoas façam o que quiser com ela. Já fomos procurados pelo pessoal da Daspu e por punks interessados em produzir camisetas".
Pela decisão do Banco do Brasil, o realizador do Mix Brasil, André Fischer, crê que evento deve ser cancelado, "houve uma troca de pessoal no banco. A nova diretoria é conservadora. O festival é um sucesso de público e crítica. Mas sem apoio, não é viável no Rio", avalia ele.
Segundo o Banco do Brasil, a decisão de apoiar ou não o festival nada tem a ver com censura, mas com orçamento e datas disponíveis. O martelo só será batido no fim do semestre.

Texto editado do Jornal O Globo:
http://oglobo.globo.com/jornal/rio/247430260.asp
http://oglobo.globo.com/jornal/rio/247448699.asp

29.5.06

Marcia X - Manifestação no CCBB de Brasília



Artistas contra a censura na arte - 26.05.2006

O público que foi prestigiar a abertura da exposição "Picasso, Paixão e Erotismo", ontem à noite, no CCBB, foi surpreendido por uma manifestação de alunos da UnB que protestaram contra a censura sofrida pela artista Márcia X e sua obra que mostrava dois pênis que se cruzam formando um crucifixo. A exposição "Erótica" estaria em Brasília, mas foi censurada pela instituição. "Um absurdo. A exposição do Picasso tem órgão genitais também", diz indignado o ator e diretor teatral Alberto Bruno.

Na manifestação, bananas e baguetes se transformaram em elementos fálicos. Desenhos de pênis enfeitavam as vestes dos artistas que gritavam "Corpo da arte, amém!" enquanto distribuíam pão aos convidados, fazendo lembrar a comunhão da missa, deixando o público mais conservador de cabelo em pé.

Logo na entrada do CCBB, as luzes da polícia mostraram até onde ia a censura. O local estava lotado de policiais da Rotan - quatro viaturas - e do Bope, que não impediram o ato, mas tentaram, nitidamente, intimidar os manifestantes.





28.5.06

Siqueira Campos - O censor do Tocantins



Rinaldo Campos, o homem que enfrentou o governador do Tocantins - 11.10.2005

O ditador do Cerrado, de Rinaldo Campos, Editora SE, Santa Maria (RS), 1994 (houve quatro edições, todas apreendidas). Entrevista publicada originalmente no Jornal Opção, de Goiânia.

Atrás das grades de uma cela, com uma máquina de datilografia e um violão, o jornalista Rinaldo Campos começou a escrever um livro que seria sua epopéia – a história do político José Wilson Siqueira Campos, ex-governador do Tocantins. Misto de biografia e dossiê político, O ditador do Cerrado se divide em duas partes: a primeira, valendo-se da ficção, tenta traçar as origens do homem que nasceu no sertão nordestino; a segunda, calcada em documentos, procura devassar os alicerces do mito que se julga "criador" do Tocantins.

Segundo o autor, foi o próprio anúncio antecipado do livro, já com o título O ditador do Cerrado, que motivou sua prisão por 35 dias, em janeiro e início de fevereiro de 1993. Posteriormente, depois de impresso, o livro teria quatro edições apreendidas, todas elas ilegalmente, a mando do ex-governador que, segundo o jornalista, mesmo fora do poder controlava as instituições no Tocantins. E ia além, chegando a determinar o recolhimento dos exemplares do livro mesmo no interior do Rio Grande do Sul e em Brasília, às barbas das autoridades federais.

Uma história digna de Kakfa e de Cervantes. Com estilo ágil, sem ser telegráfico, e buscando a objetividade sem perder de vista a sutileza psicológica dos "personagens", Rinaldo Campos procura mostrar o caráter incipiente das instituições no Tocantins. Em visita ao Jornal Opção, na quinta-feira 6, ele trouxe um dos poucos exemplares que restam do livro e conversou sobre sua saga pessoal que, num dado momento, foi coletiva, envolvendo várias instituições que defendem a liberdade de imprensa e os direitos humanos. "Apesar de viver no Tocantins, muitos tocantinenses acham que fui morto", observa. E, irônico, acrescenta: "De tanto combater o mito Siqueira Campos, acabei virando uma espécie de mito também".

Matéria e entrevista completa no Observatório da Imprensa:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/

Matéria original e entrevista completa no Jornal Opção (Goiânia):
http://www.jornalopcao.com.br

Site do autor com diversas informações sobre a obra a e a absurda censura que sofreu: http://www.oditadordocerrado.com.br/



"Se ainda faltam 60 dias para o inicio da campanha eleitoral e o TRE já interferiu no lançamento do livro O Ditador do Cerrado censurando os cartazes, favorecendo Siqueira Campos, o que podemos esperar durante a campanha?"

Márcia X - Cesar Maia o censor do RJ















Cesar Maia ordena retirada de cartazes de protesto contra censura em exposição erótica - 26.05.2006

A obra de arte "Desenhando com Terços" (foto), que recentemente já tinha sido censurada na exposição Erotica - Os Sentidos da Arte por mostrar dois pênis feitos com terços religiosos, sofreu um novo tipo de censura no Rio de Janeiro.

Dessa vez foi o prefeito do Rio, Cesar Maia, que ordenou a retirada de cartazes espalhados pela cidade, os quais reproduziam a obra em protesto contra sua censura da exposição Erotica, promovida no último mês de abril peloCentro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na capital carioca.

Maia disse que tais cartazes mostram “motivos desrespeitosos à fé das pessoas", por isso devem ser retirados. Além disso, ele salientou que caso essa imagem tenha sido exibida em algum outdoor, a empresa responsável pelo espaço publicitário será multada e terá sua área de veiculação suspensa por seis meses.

A obra em questão é de autoria de Márcia X e já foi exposta no CCBB de Brasília e São Paulo, onde foi apreciada sem maiores problemas. Porém, no Rio de Janeiro, a imagem incomodou a organização religiosa Opus Christi, que enviou cerca de 800 e-mails ao Banco do Brasil solicitando que a peça fosse retirada da exposição.

Link para matéria:
http://gonline.uol.com.br/livre/gnews/html/gnews3508.shtml

26.5.06

Boicote do CCBB à mostra de cinema



CCBB ameaça agora censurar filmes de sexo

Há quatro anos no CCBB, o festival Mix Brasil corre o seriíssimo risco de não acontecer este ano. A mostra de cinema e vídeo da diversidade sexual parece ter sido atingida pela mesma onda de censura que retirou duas obras da artista plástica Márcia X da mostra "Erótica — os sentidos da arte". "É uma saia justíssima", diz André Fischer, realizador do Mix Brasil. "Em princípio não vai ter mesmo o festival. O Banco do Brasil me pediu um tempo para definir sua posição oficial, mas o prazo já passou. Tudo indica que ficaremos de fora do CCBB este ano."

Fonte: COLUNA GENTE BOA – Jornal O Globo – 25/05/2006

22.5.06

Censura na história (II)



O filme "Je Vous Salue Marie" de Godard foi proibido no Brasil, em 1986, não pela ação dos censores da PF e sim pelo governo federal do presidente José Sarney

Passados 17 anos de sua extinção, a censura é assunto incômodo na Polícia Federal. O tema não foi abordado no livro que reconstitui os 60 anos da instituição. Os censores, vistos como braços da repressão, sentem ainda hoje, dentro e fora da PF, a discriminação de quem integrou a ditadura, mesmo com a obrigação que lhes era imposta.

Hoje diretora da Academia Nacional de Polícia, Viviane da Rosa integrou a equipe que analisou o conteúdo do filme "Je Vous Salue Marie", de Jean-Luc Godard. Na fita, a Virgem Maria é uma jogadora de basquete que fala palavrões e aparece nua. O filme foi proibido em 1986, mas não pelos censores. "A decisão de proibir foi do governo, pelas pressões da igreja."

Matéria completa:
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=229131

Censura na história



Monteiro Lobato e a crítica política censurada

O livro Zé Brasil, escrito por Monteiro Lobato em 1947, trazia o velho Jeca Tatu, um trabalhador rural sem terra. O livro defendia os pequenos agricultores e atacava a estrutura agrária brasileira com os seus grileiros. A crítica política, porém apartidária, do livro desagradou as autoridades da época e foi considerado perigoso à segurança nacional, o que implicou na apreensão e censura do livro.

Mais detalhes:
Livros proibidos, idéias malditas
Maria Luiza Tucci Carneiro
São Paulo: Estação Liberdade, 1997.

19.5.06

Censura em Brasília - UniCEUB



“É A CENSURA QUE NÃO DISFARÇA, NO UNICEUB A LEI É DA MORDAÇA!” - 12.05.2006

Iniciam-se os movimentos que prometem parar o UniCEUB

"Nesta terça-feira, dia 9 de maio, os estudantes do UniCeub foram surpreendidos com o comunicado de que a última edição do jornal laboratório Esquina - já impressa - não iria circular. O motivo da apreensão dos três mil exemplares foi a censura à matéria intitulada Comigo é no Popular, numa referência ao ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz. A publicação é produzida, há cerca de 30 anos, pelos cursandos do 6° semestre de Jornalismo do UniCeub e, até onde se sabe, foi a primeira vez que tal fato ocorreu". (Thiago)

Na noite desta quinta feira aconteceu, em frente às portas da reitoria, uma manifestação que mobilizou estudantes de comunicação social do UniCEUB. Frente ao ato de censura cometido pela reitoria desta Instituição, os alunos percorreram o campus ecoando um coro de protesto reivindicando, principalmente, uma explicação que traduzisse boa vontade para dialogar por parte da reitoria.

Em três horas de manifestação foram mobilizados os blocos dos cursos de direito e administração, incluindo aí os calouros do bloco 10. Em passeata organizada, saíram para a W4 onde bloquearam o cruzamento em frente à faculdade, com jornais da cidade em punho que traziam o ato de censura em manchete, chamando a atenção de todos para a censura que está acontecendo com relação ao Esquina (jornal laboratório do curso de comunicação social), obtendo apoio de muitos motoristas que trafegavam. Deram a volta pelas ruas ao redor do prédio da faculdade e concentraram-se em frente à reitoria onde permaneceram protestando por cerca de 40 minutos até obterem, de um porta-voz, a promessa de que hoje, às 9 da manhã, haveria uma reunião com a reitoria e quatro membros da manifestação.

Chegando ao UniCEUB hoje de manhã, quatro alunos representando o Centro Acadêmico e o Jornal Esquina foram recebidos pelo Secretário Geral Maurício Neves. Sr. Getúlio Américo, o reitor não estava pressente e muito menos nenhum dos nomes que compõe o enorme corpo de nossa aviltante reitoria. Com frieza e arrogância, um simples e sonoro NÃO aos direitos dos estudantes foi dito. NÃO liberarão o jornal, NÃO haverá explicações, eles NÃO estão violentando nossos direitos, NÃO, NÃO, NÃO. E ponto.

Os alunos prometem mais protestos para hoje, agora com um maior apoio estudantil e popular. Sindicatos e organizações já aderiram ao movimento. Parte da imprensa também está mobilizada.

Foto de Alexandra Martins


Fonte:
http://www.horariodebrasilia.blogspot.com

Assista o vídeo “Comigo é no popular” de Alexandra Martins sobre a censura no CEUB

O Código da Vinci (II)

'Código Da Vinci' sofre resistência no Brasil, Índia e Filipinas

SÃO PAULO - O filme "O Código Da Vinci", baseado no best-seller de Dan Brown e estrelado por Tom Hanks, começa a rememorar a polêmica em torno de "A paixão de Cristo", de Mel Gibson, de 2004, quando lideranças católicas ao redor do mundo tentaram proibir o longa de ser exibido em seus países. No Brasil, nas Filipinas e na Índia, grupos e autoridades já tomaram as dores do público contrário às idéias do escritor norte-americano e tentam impedir sua exibição. O Vaticano e Opus Dei também são contra. O filme, que entre outras teorias diz que Jesus casou com Maria Madalena e teve filhos com ela, tem estréia mundial no próximo dia 19.

O advogado Affonso Pinheiro, em nome do deputado Salvador Zimbaldi (PSB-SP), dirigiu-se nesta quarta-feira para o Fórum Regional de Santo Amaro, em São Paulo, para tentar pela segunda vez a proibição do filme no país.


Na semana passada, a medida cautelar contra a produtora e distribuidora Sony Pictures foi recusada na 2a. Vara Cível sob alegação de que não poderia ser atendida, já que a exibição do filme não confronta leis constitucionais.

Matéria Completa:
http://oglobo.globo.com/online/cultura/plantao/

18.5.06

O Código da Vinci



Deputado quer proibir "O Código da Vinci" no Brasil

DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online


O deputado federal Salvador Zimbaldi (PSB-SP) quer impedir que o filme "O Código Da Vinci", inspirado no best-seller de Dan Brown, seja exibido no Brasil. Segundo ele, "a obra é uma afronta à fé cristã", já que coloca em xeque as histórias oficiais de Jesus Cristo e de toda a Igreja Católica. O filme tem estréia marcada para dia 19 deste mês.

Para Zimbaldi --membro da Renovação Carismática Católica há 25 anos--, o caráter ficcional do livro de Dan Brown não diminui seus efeitos "perniciosos".

"O problema é que o autor tenta dizer que descobriu uma verdade. Dan Brown é um inventor de coisas e de fatos, porque a verdade que é conhecida ao longo dos séculos é a da Bíblia Sagrada", afirma.

"Pensei em acionar o STF (Supremo Tribunal Federal), mas descobri que não seria possível. Então, entramos com uma medida cautelar na 2º Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro (em São Paulo) contra a produtora e distribuidora Sony Pictures".

A medida cautelar foi recusada e o advogado de Zimbaldi, Affonso Pinheiro, já apresentou apelação. O resultado sai em 48 horas.

Inconstitucionalidade

Zimbaldi e seu advogado alegam que tanto o livro quanto o filme "agridem a liberdade de crença", o que é inconstitucional. Outros fatores contrários à Constituição, segundo Zimbaldi, são "os atentados a fatos históricos que fazem parte da colonização do Brasil."

A história do filme se concentra na tese de que Jesus Cristo se casou com Maria Madalena, com quem teve um filho e cuja descendência continuou até a atualidade, protegida por uma ordem secreta conhecida como Priorado de Sião.

Por causa da possibilidade desse casamento, o grupo conservador católico Opus Dei estaria assassinando seus descendentes para proteger tal segredo.

Censura

O deputado nega que esteja tentando censurar o filme. "Não há censura neste caso, mas sim defesa da verdade. O direito de um termina onde começa o de outro", afirma.

Zimbaldi diz estar cumprindo com seu "papel de deputado, cristão e católico.". "Só estou fazendo minha parte, assim como a Opus Dei na Inglaterra está brigando judicialmente".

Procurada pela Folha Online, a produtora e distribuidora de "O Código da Vinci", a Sony Pictures, ainda não se pronunciou sobre o caso.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u60292.shtml

17.5.06

Censura no cinema brasileiro

A partir de agora você poderá descobrir mais de cinco mil documentos que incluem processos de censura, material de imprensa e relatórios do DEOPS de 175 filmes brasileiros.

Confira o site
Memória da Censura no cinema brasileiro: 1964 a 1988
http://www.memoriacinebr.com.br/

Marcia X - Protesto em Brasília








Artistas e estudantes manifestam-se contra o cancelamento da exposição Erotica - Os sentidos na arte, mas Banco do Brasil reitera o veto. Departamento de Artes Visuais da UnB quer trazer parte da mostra - 15 de maio de 2006.


No dia marcado para abertura da exposição Erotica - Os sentidos na arte, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebeu grupo inesperado de visitantes. Eram artistas em protesto contra o cancelamento da mostra, que traria o pivô da polêmica, a obra Desenhando em terços, de Márcia X (1959-2005). Faixas com dizeres como “o CCBB é da CNBB”, “hipocrisia veta Erótica em Brasília” e “Arte sem censura” foram exibidas numa área próxima ao estacionamento do local, no final da tarde de ontem.

Veja na íntegra
http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_67.htm

Livro discute a censura



Livro reúne 22 intelectuais para traçar percurso da censura no país

CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo


Desde que Adão, Eva ou seja lá quem disse o primeiro "cala a boca", ela vem amarrando braços, silenciando vozes e tapando olhos com todos os tipos de cordas, mordaças e vendas possíveis. Agora, pela primeira vez, todo o arsenal material e simbólico que ela utilizou no Brasil está sendo reunido no mesmo espaço.

Ela, com o perdão da palavra, se chama censura, e toda a sua trajetória em território brasileiro ganha seu primeiro retrato de corpo inteiro no volume "Minorias Silenciadas - A História da Censura no Brasil", que a Edusp, a Imprensa Oficial de SP e a Fapesp estão lançando.

Organizado pela professora de história da Universidade de São Paulo Maria Luiza Tucci Carneiro, esse mapeamento do silêncio involuntário ao longo da história nacional reúne artigos de 22 intelectuais de campos distintos.

Eles começaram a empreitada há cinco anos. Em abril de 1997, Tucci Carneiro convocou a mesma escalação de pensadores para participar do seminário "Minorias Silenciadas", um dos módulos do colóquio Direitos Humanos no Limiar do Século 21, que o professor Renato Janine Ribeiro organizou para a USP.
"A idéia do trabalho era mostrar a diversidade de categorias de censura desenvolvidas no Brasil", conta Tucci.

Autora de estudos importantes na área de racismo ou perseguição religiosa, como "O Anti-Semitismo na Era Vargas" (que está sendo relançado pela editora Perspectiva), ela pretendia focar especificamente como a censura atingia algumas minorias.

O grupo de participantes do seminário (e agora do livro), que contou com professores renomados como a historiadora Anita Novinsky e o ensaísta e tradutor Boris Schnaiderman, alargou um pouco os limites do estudo. "Minorias Silenciadas", o livro, acabou por trazer um perfil abrangente de modelos de censura.

Reunidos com alguma referência cronológica, os artigos podem tratar do nascimento das primeiras instituições de repreensão em Portugal e Espanha, a mais notória delas o Santo Ofício da Inquisição, ou de censuras bem menos oficiais e aparentes, como as castrações simbólicas sofridas por uma moradora de uma favela de São Paulo que decide ser escritora, como o caso de Carolina Maria de Jesus (autora do best-seller dos anos 60 "Quarto de Despejo").

O maior número de textos, porém, aborda aqueles que Tucci Carneiro considera os "everestes" da censura brasileira.

O século 20 é o auge da censura. E os seus dois grandes momentos são, claramente, o período Vargas, com o DIP e a polícia política atuando como aparatos censores e repressores, e, depois, a ditadura militar, sobretudo o período de 1968 a 1975", diz.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u22974.shtml

16.5.06

Nelson Leirner


















A apreensão de obras do artista plástico Nelson Leiner gera protestos contra a censura. As telas foram para o Juizado de Menores porque mostravam bebês mantendo relações sexuais. Os quadros, segundo o artista são críticas aos postais da fotógrafa neozelandeza que ficou famosa por mostrar crianças e adolescentes em posições nada convencionais. Nelson Leiner recebeu o apoio de artistas do Brasil e do exterior.

Com 71 anos e intensas realizações, o artista plástico Nelson Leirner continua a causar polêmicas e estranhamento. São dele as obras que trazem um porco e um rato empalhados, o altar a um santificado Roberto Carlos e uma série de relógios descoordenados no Museu de Arte Moderna de São Paulo. São dele também aqueles grafites eróticos sobre as fotos de bebês da fotógrafa neozelandesa Anne Geddes que causaram tanto tumulto há alguns anos e foram apreendidos. É dele ainda a obra ‘’Bala Perdida” que, no Instituto Itaú Cultural, sensibiliza pelo seu teor dramático. Acolhido e rechaçado, premiado e incompreendido: foi assim que Leirner conseguiu se fazer ver e transmitir a sua mensagem ao longo de 43 anos de carreira. Uma mensagem carregada de protesto e teor político e, diria eu, com um quê de ironia. Acompanhe aqui o depoimento sobre alguns dos momentos mais brilhantes da carreira do artista.

Saiba mais:
http://gowheresp.terra.com.br/41/nelson-leirner.htm
http://www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo4/rex/artistas/leir.html

Marcia X















Desenhando com Terços (2000-2003)
Marcia X
Desenho sobre papel fotográfico
Coleção. São Paulo, SP

Obra censurada pelo Banco do Brasil na exposição Erótica - Os sentidos da Arte, abril de 2006 no Rio de Janeiro.

Saiba mais:
http://www.mapadasartes.com.br/setoresnn.php?not=1&notid=50

Alfredo Nicolaiewsky










Sem título (1983)
Alfredo Nicolaiewsky
Lápis de cor e aquarela s/ papel, 70 x 98 cm

Coleção do Artista, Porto Alegre, RS


Essa tela de Alfredo Nicolaiewsky também foi alvo de polêmica na exposição Erótica - os sentidos da arte, no CCBB, Rio de Janeiro, com tentativa de retirada pelo grupo Opus Christi.

14.5.06

Gustave Courbet



L’origine du monde (1866)
Gustave Courbet
Óleo sobre tela. 46 x 55 cm
Museu de Orsay, Paris


Em 1855 quadros de Gustave Courbet foram recusados pela Exposição Universal em Paris. O artista reagiu organizando em barracas uma exposição de suas obras "realistas", que não tiveram muita repercussão entre os críticos.

Após a queda da comuna republicana de Paris, em 1871, na qual foi presidente da comissão de belas-artes, Courbet foi condenado a seis meses de prisão e a elevada multa.

Em 1873, exilou-se na Suíça, onde faleceu em 31 de dezembro de 1877, na localidade de La Tour-de-Peilz.

Saiba mais:
http://www.pitoresco.com/universal/courbet/coubert.htm
http://www.an.com.br/2001/abr/14/0ane.htm
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/2397/1/tese.pdf

A história do absurdo

Manifesto de repúdio

Erguei as mãos... fechai os olhos...

Estamos sim na era do espetáculo e da imagem. Os símbolos governam nossas percepções, pensando nisso muitas empresas tentam construir imagens positivas utilizando os denominados marketing social e cultural na esperança de desviarem os olhares críticos de suas gestões capciosas e fraudulentas. Mas um dia a máscara cai, como reza a tradição dos antigos teatros o espetáculo vai do cômico ao trágico. Com o Banco do Brasil não poderia ser diferente.

O Banco do Brasil foi diversas vezes citado nas CPIs pela forma de gerenciar as verbas de seu departamento de marketing, diretores caíram, interesses comerciais obscuros acima de qualquer responsabilidade social foram explicitados e abalaram a credibilidade da instituição. O que não poderíamos imaginar é que esse tipo de gestão contaminasse até a ferramenta que deveria zelar por sua imagem institucional.

A estrela maior do marketing cultural do BB é o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) que tem por proposta constituir-se em espaço multidisciplinar, ambiente de convivência propício à apreciação da arte em suas diferentes formas de expressão. Será?

Não é o que está acontecendo. Mesmo com o Banco do Brasil possuindo mais de 22 milhões de correntistas, a direção decidiu sumariamente CENSURAR a obra de Márcia X, "Desenhando com Terços", da Exposição Erótica – Os sentidos da arte no CCBB do Rio de Janeiro, cedendo à pressão de um incipiente grupo fundamentalista católico, cujo fundador e representante é um jovem conservador ligado à frente jovem de um partido político e com nítidos interesses eleitoreiros. A exposição passou pelo CCBB São Paulo sem problemas, foi censurada no CCBB Rio de Janeiro, para finalmente ser cancelada no CCBB Brasília, onde seria inaugurada no dia 15 de maio.

O Banco do Brasil criou espaços, os CCBBs, dizendo que tem a preocupação em levar a cultura, de vanguarda ou não, a todo o tipo de público. Mentira! Basta um grupelho de radicais puritanos insurgir de joelhos contra a idéia, que o Banco cai de quatro e dá como resposta à sociedade a CENSURA.

É com a fachada do marketing cultural que muitas empresas ficam bem perante a comunidade. Porém, no fundo, não pensam efetivamente em promover qualquer mudança social, mas sim ter lucro, exclusivamente lucro, e quem sabe caixa extra. Dão ao povo pão e circo para manter a alienação, na contramão do senso crítico, com a falsa imagem de levar cultura.

Até quando aceitaremos, calados, em pleno século XXI, a Igreja ou qualquer outro sistema dogmático dizendo o que podemos ou não ver? O que podemos ou não pensar? Por que diabos os beatos e moralistas se sentem no direito de impedir que toda a sociedade possa conhecer o que eles julgam bom ou mau? A assessoria de imprensa do BB disse que o Banco preferiu retirar a obra e que não teve a intenção de ferir a religião católica! Ora essa! Feriu a liberdade de expressão. Feriu a diversidade religiosa, pois a não-crença também é parte do universo religioso.
A obra não estava em um templo, mas sim num lugar apropriado à ARTE, à produção de olhares divergentes e à reflexão crítica. Se o Banco do Brasil não tem capacidade ou interesse em divulgar a arte, que não faça discurso de empresa comprometida com a sociedade, com a pluralidade e com a vanguarda. Que assuma logo sua condição vendida a interesses minoritários! Que não se diga democrático! Que aceite sua posição de empresa de visão medíocre.

Quando você for abrir uma conta no Banco do Brasil não se esqueça que os altos juros e taxas administrativas cobrados vão financiar a alienação e falta de cultura do povo brasileiro.

Abaixo a censura!

Erguei as mãos e fechai os olhos... até quando?

Aqui começa...

um movimento de monitoramento de todas as formas de censura!