30.6.06

Igreja vai à Justiça para proibir exposição



Evandro Prado – “Habemus Cocam”
acrílica sobre tela – 110x170 cm - 2005


Arcebispo de Campo Grande entrou com ação criminal contra Evandro Prado

Por Cíntia Acayaba
Da Agência FOLHA


A mostra "Habemus Cocam" mistura representação da Coca-Cola a de santos; artista afirma que obras criticam capitalismo e consumismo

O arcebispo de Campo Grande (MS), dom Vitório Pavanello, entrou com uma ação criminal, por meio do Ministério Público Estadual, contra o artista plástico Evandro Prado, 20, por "vilipendiar publicamente imagens sagradas". De acordo com o requerimento, a exposição "Habemus Cocam", de Prado, desrespeita os símbolos da Igreja Católica ao "misturar latinhas e logotipos do refrigerante da marca Coca-Cola com imagens de santos". A exposição está no Marco (Museu de Arte Contemporânea), de Campo Grande, desde o dia 11 de maio.

No dia 7 do mês passado, os advogados de Pavanello entraram com uma ação civil que pedia a apreensão e a destruição das obras. Ela não foi julgada, porque a Justiça a considerou uma ação criminal. "É um direito da arquidiocese defender seus símbolos sagrados. O artista plástico cometeu um crime", disse a advogado do arcebispo, Maria Elípia Ferreira dos Santos. A pena por vilipêndio (aviltamento, desprezo) varia de um mês a um ano, ou pagamento de multa.

Exposição

O artista explica que o nome da exposição, "Habemus Cocam", faz referência à frase "habemus papam" (temos papa) pronunciada na eleição de um novo pontífice. Segundo ele, as obras fazem uma crítica ao capitalismo e ao consumismo. "Na tela "Habemus Cocam", onde o papa João Paulo 2º aparece morto segurando uma garrafa de Coca-Cola, quero dizer que, apesar da morte de um líder religioso, o sistema capitalista perdura", disse Prado. Para ele, mostrar que o capitalismo "se apropriou de tudo", inclusive da fé das pessoas, chega a ser uma "defesa" à igreja.

O vereador Paulo Siufi (PRTB) colocou na pauta da Câmara Municipal uma moção de repúdio à exposição, que não chegou a ser votada. Siufi também organizou um abaixo-assinado que, de acordo com ele, obteve cerca de 10 mil assinaturas dos católicos de Campo Grande.
"O artista disse que não quis macular a iconografia católica, mas colocar o manto de Nossa Senhora com uma Coca-Cola no meio é muito agressivo", disse Siufi. De acordo com o curador do museu, Rafael Maldonado, a polêmica aumentou o número de visitantes do Marco. "Nenhuma exposição teve tanta repercussão como essa em Mato Grosso do Sul", disse. A Coca-Cola Brasil não quis se pronunciar sobre o assunto.


A exposição, dividida em três segmentos, "capitalismo e consumismo", "arte e publicidade" e "religião", conta com 21 pinturas e 13 objetos que utilizam de maneiras diferentes as logomarcas da Coca-Cola. "Habemus Cocam" fica exposta em Campo Grande até o dia 30 deste mês. A partir do dia 10 de agosto, ela estará na Casa de Cultura da América Latina, em Brasília.

Fonte: Folha de São Paulo (24.26.2006):
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2406200629.htm

Sobre a mesma exposição no blog:
http://observatoriodacensura.blogspot.com/2006/06/

Site do artista Evandro Prado:
www.evandroprado.com.br

29.6.06

Formas de censura - A revista Veja e o parcialismo



Ao apresentar apenas uma versão dos fatos publicados a revista Veja fere um princípio ético do jornalismo por impedir aos citados em suas matérias a oportunidade de defesa

"Assim como outras revistas semanais, a estrutura é extremamente centralizada. Até o cargo de editor, o jornalista ainda é considerado de 'baixa patente', ou seja, não decide grandes coisas sobre o que será publicado. Dos editores executivos para cima já se possui poder sobre a definição do conteúdo, mas os profissionais são escolhidos a dedo. Além de competência profissional — qualidade de texto, capacidade intelectual e ampla bagagem cultural — é preciso estar muito alinhado com a editora".

Manipulação e distorção


"Um movimento popular ganhava atenção e simpatia da opinião pública fazia dois anos. Era preciso desmoralizá-los. Em junho de 1998, a capa da revista semanal com maior tiragem do país enquadrava uma das lideranças do movimento com uma iluminação avermelhada produzida nas telas de um computador sobre o rosto com uma expressão tensa. A chamada não deixava dúvidas: 'A esquerda com raiva'. O rosto demonizado era de João Pedro Stédile, líder do movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e a publicação, Veja".

"Na matéria, além de explicitar sua posição, descredenciando o movimento por defender idéias contrárias às defendidas pela revista, os sem-terra eram apresentados como grupo subversivo-revolucionário, quase terrorista. Apesar das quase duas horas de entrevista, só foram aproveitadas declarações do líder de debates sobre socialismo em congressos devidamente descontextualizados. Stédile conta que, após a publicação daquela reportagem, ele e as lideranças do movimento tomaram a decisão de não atender mais à revista. Na época, uma carta anônima circulou por correio eletrônico revelando supostos detalhes de como a matéria teria sido produzida. A carta não comprova nada, e atribui ao secretário geral de Comunicações de Governo de Fernando Henrique Cardoso, Angelo Matarazzo, a 'encomenda' para desmoralizar os sem-terra".

"A iniciativa de não dar entrevistas à Veja também foi adotada por Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo da Arquidioscese de São Paulo, quando presidia a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O motivo era a distorção da cobertura. Procurado, não quis discutir o tema, apesar de manter a determinação de não conversar com jornalistas do veículo".

Trechos do artigo de Anselmo Massad (revista Fórum)

Artigo na íntegra sobre os procedimentos editoriais de Veja:
http://www.novae.inf.br



Leia também sobre o caso Ibsen Pinheiro, outro abuso
clássico de parcialidade da revista Veja:
http://www.mp.sc.gov.br/canal_mpsc/clipping/

28.6.06

Formas de censura - Não dar voz (II)



Mulheres protestam e reivindicam o direito a voz na 9ª Parada do Orgulho LGBTT de Brasília

Mulheres bissexuais e lésbicas se unem na 9ª Parada do Orgulho de Brasília para protestar contra a inexistência de VOZ (microfone) no trio das Mulheres.

A ação conseguiu chamar atenção de ativistas do movimento feministas e direitos humanos quanto as hierarquias de gêneros dentro de alguns segmentos da comunidade GLBT.



Fotos de Alexandra Martins


Veja um vídeo (0:49") do protesto na Parada: http://brasil.indymedia.org/media/2006/06//356651.mpg

26.6.06

Censura na revista IstoÉ



Luiz Cláudio Cunha, editor de Política da sucursal da IstoÉ, em Brasília, manda uma carta para Carlos José Marques, diretor-editorial da IstoÉ, questionando atos absurdos na edição da revista que incorreu várias vezes na censura como forma de manipular os fatos junto à opinião pública e se isentar assim de mal-estar político com o Governo Federal

“A ISTOÉ, pelo jeito, não quer afligir mais ninguém, principalmente os poderosos. Deve ser por isso que a ISTOÉ desta semana consegue o milagre de produzir uma matéria sobre o caseiro Nildo, aquele que viu as bandalheiras da "República de Ribeirão Preto", sem citar uma única vez o santo nome de Antonio Palocci. E discorre sobre a vergonhosa quebra de sigilo do caseiro omitindo acintosamente o nome do assessor de imprensa Marcelo Netto, um dos suspeitos de envolvimento no crime. Reclamo porque fui eu que escrevi a matéria, e nela constavam os dois nomes – Palocci e Marcelo. Meu texto foi lipoaspirado, desintoxicado dos nomes do ministro e do assessor, e assim publicado. Por isso, recusei assinar a matéria, que não refletia o que o repórter mandou de Brasília na noite de quinta-feira 23. E nem precisaria tanto drama, porque os nomes da dupla já estavam, desde manhã cedo, nas edições da Folha de S.Paulo e do Correio Braziliense. A revista não estaria fazendo carga contra ninguém, estaria apenas sendo fiel aos fatos. Perdeu uma bela oportunidade de não ficar calada. Até porque, momentos atrás, o Palocci acaba de se demitir, por todos os motivos que tínhamos e não explicitamos.”

A carta de Luis Cláudio Cunha na íntegra:
http://www.novae.inf.br/pensadores/isto_era.htm

Matéria “editada” da IstoÉ:
http://www.terra.com.br/istoe/1901/brasil/1901_sigilo_do_caseiro.htm

23.6.06

Formas de censura - Ameaça



O escritor Ferréz denuncia execuções de inocentes na periferia de SP realizadas por policiais como retaliação aos ataques do PCC e sofre ameaças anônimas

Na quinta-feira (17/05/06), o escritor Ferréz fez um apelo à população em seu blog, para que todos ajudassem a divulgar que “a Policia Militar e a Policia Civil, afetadas com a onda de matança, estão fazendo da nossa periferia um estado pra lá de nazista”.


O escritor que vive no Capão Redondo, na periferia de São Paulo, teve que deixar a capital no final de semana devido às ameaças de morte que recebeu. Desde a semana passada ele vem denunciando a reação exacerbada da polícia, que tem vitimado inocentes, como na entrevista que concedeu à Carta Maior na sexta.

Blog do Ferréz com a denúncia:
http://ferrez.blogspot.com/2006_05_01_ferrez_archive.html

Entrevista para a Carta Maior:
http://agenciacartamaior.uol.com.br

Matéria sobre a ameaça:
http://agenciacartamaior.uol.com.br

Formas de censura - Não dar voz



As mulheres lésbicas e bissexuais de Brasília correm o risco de ficar sem voz na IX Parada LGBTT de Brasília

As mulheres lésbicas e bissexuais de Brasília correm o risco de ficarem sem voz na IX Parada LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais) de Brasília. Desde o ano passado, o trio elétrico dos grupos de mulheres não tem direito a um microfone no carro, e o argumento da organização da Parada é que “microfone na mão de mulheres dá problema”. É preciso lembrar que, acima de tudo, que as mulheres militantes ajudaram a construir a parada, seja na organização ou acompanhando os trios na pista.

A luta pelo direito a voz e respeito das militantes é legítimo, afinal , esse é o grande argumento do movimento LGBTT no mundo hoje. Por essa razão, elas estão manifestando publicamente repúdio ao fato, que cala e oprime não só as mulheres, mas todos os seguimentos do movimento LGBTT de Brasília. Que todos possam manifestar suas diferenças com liberdade e que seus esforços pela diminuição do preconceito sejam reconhecidos. Que os organizadores não sejam machistas e arbitrários, pois não existe contradição maior em um ato que busca divulgar e defender a diversidade sexual.

Foto de Alexandra Martins

Censura internacional - Guantánamo



EUA vetam acesso de jornalistas à prisão de Guantánamo

Os Estados Unidos anunciaram a retirada de todos os jornalistas da prisão americana na Baía de Guantánamo, em Cuba. Os militares locais não podem mais convidar a imprensa sem autorização superior. A suspensão da cobertura está em vigor a partir desta quarta-feira.

Jornalistas do "Miami Herald" e do "Los Angeles Times" que chegaram à base no sábado passado foram despachados de volta nesta quarta. Eles tinham desembarcado horas depois do suicídio de dois prisioneiros sauditas e um iemenita.

A decisão se deu depois que um jornal, o "Charlotte Observer", publicou relato contundente das medidas de segurança efetivadas depois dos suicídios. A reportagem contém "cenas de oficiais discutindo o tratamento duro dos detentos", segundo notou o "Guardian".




Veja matéria completa em O Globo:
http://oglobo.globo.com/online/mundo/mat/2006/06/14/284261816.asp

19.6.06

Grupo de RAP brasileiro foi censurado em 2000



A música e o videoclipe de "Isso Aqui É Uma Guerra" do grupo Facção Central foram censurados sob alegação de apologia ao crime, quando retrataram a realidade das periferias

Do cd "Versos Sangrentos" do grupo Facção Central muitas músicas se destacaram. Mas, uma em especial, não se destacou por ser a mais tocada, ou a que mais fez sucesso. Destacou-se pela polêmica que gerou, com sua letra e clipe, mostrando a mais pura realidade cotidiana da perfiferia. Porém, alguns não tiveram a capacidade de entender tanto música, quanto clipe, e sentindo-se ameaçados com as duras criticas ao sistema, resolveram censurar o clipe, proibindo sua veiculação na tv, e proibindo a música, de ser veículada, tanto na tv, quanto nas radios.

Muito se falou sobre a apreensão do videoclipe "Isso Aqui É uma Guerra", do grupo de rap Facção Central. A inevitável bandeira da censura à livre manifestação artística e ao pensamento foi a vedete da questão entre discussões sobre ética e glamourização da violência nos meios de comunicação.

A medida cautelar que proíbe o clipe, de autoria do promotor Maurício Lemos Porto Alves, alterou os humores da comunidade hip-hop. Afinal, depois da censura ao clipe, veio a censura à música, que já havia tocado por seis meses nas rádios especializadas sem sofrer qualquer represália.



Veja texto completo no site do Facção Central:
http://br.geocities.com/faccaocentral_online/polemicas.html

Veja o videoclipe censurado:
http://www.rapnacional.com.br/videos/FC256.wmv

Leia entrevista na Caros Amigos sobre a censura:
http://carosamigos.terra.com.br/do_site/reportagem/reportagem02.asp

Livro que inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças foi censurado



Justiça censura livro de escritor paranaense

O Tribunal de Justiça do Paraná determinou novamente a retirada de circulação de todas as edições do livro "Canto dos Malditos", do curitibano Austregésilo Carrano Bueno. A obra originou o premiado filme Bicho de Sete Cabeças, estréia de Laís Bodanzky, com Rodrigo Santoro no papel princial.

A Justiça determinou que todas as edições que contenham menções injuriosas ao médico psiquiatra Alô Guimarães, falecido em 1985, devem ser retiradas de circulação num prazo de 60 dias. Caso contrário, Bueno será obrigado a arcar com uma multa diária no valor de R$ 5 mil, além dos R$ 20 mil de indenização que serão pagos aos filhos de Guimarães. A decisão foi publicada na última sexta-feira, mas ainda não é definitiva. Bueno e a editora do livro, a Rocco, ainda podem recorrer aos tribunais superiores.

Matéria completa:
http://www.bonde.com.br/bondenews/

Depoimento de Austregésilo no CMI em 2002:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/09/35945.shtml

16.6.06

A internet sofre censura em todo o mundo



Censura na internet está em todos os continentes

Regimes repressivos estão tirando vantagem da facilidade de censurar e restringir o debate na internet, afirma um relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o grupo de pressão que denuncia ameaças à liberdade de expressão e de imprensa.
O relatório sobre ameaças à liberdade de expressão tem uma parte dedicada à internet e ao aumento da censura à rede.

A censura eletrônica estaria acontecendo praticamente em todos os continentes.

Apesar de a internet estar mudando a forma com que a mídia trabalha, com o aparecimento de blogs, de fóruns de discussão e de sites de relacionamento como o Orkut, que transformam consumidores passivos em críticos ativos, não são só os cidadãos que se beneficiam do poder da tecnologia, alerta o relatório.

Matéria completa da BBC Brasil:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/

ACM - O censor da Bahia



Filme que faz alusão a ACM é proibido na Bahia - 14.06.2005

Os profissionais do áudio-visual baiano realizaram ontem (13/6), na sede da Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), órgão vinculado à Fundação Cultural do Governo do Estado, no bairro dos Barris, em Salvador, um ato público para protestar “contra a censura ao cinema na Bahia”. A motivação do protesto foi a proibição da Dimas à exibição do filme O Fim do Homem Cordial, de Daniel Lisboa, na Mostra de Vídeo - Jovens Realizadores Baianos realizada no período de 3 a 5 de junho. O filme proibido da Bahia, como está sendo chamado, com 2min e 25 segundos de duração, encena o seqüestro de um senador baiano, “cabeça branca”, numa nítida alusão ao senador Antonio Carlos Magalhães. O filme foi premiado na edição 2004, do Festival Nacional de Vídeo – A Imagem em 5 minutos promovido pelo governo da Bahia. Há quem relacione a demissão de Sérgio Borges, diretor da Dimas na época da Mostra de Vídeo, ao seu destemor de manter a decisão do júri em premiar o filme de Daniel.

Matéria completa:
http://www.vermelho.org.br/diario/2005/

Link para donwload do curta:
http://www.soononmoon.org/cineaum/FHC.mpg

11.6.06

Censura como estratégia da campanha eleitoral de Lula



Jogadores foram instruídos para não fazer perguntas ao presidente

Por Edmundo Rivotti

Irritado, Ronaldo reagiu hoje (09.06.2006) à preocupação manifestada ontem por Luiz Inácio Lula da Silva sobre o peso do jogador.

Durante a videoconferência com o "escrete", realizada ontem, o presidente brasileiro perguntou se Ronaldo estava ou não gordo. O avançado, que esteve ausente do encontro, respondeu hoje, sem quaisquer papas na língua: "Fui informado de que era proibido fazer perguntas, mas eu tinha muitas para fazer. Disse que sou gordo, como todo a gente diz que ele bebe para caramba. Tanto é mentira que eu estou gordo como deve ser mentira que ele bebe para caramba."

Recorde-se que em 2004, o New York Times publicou uma reportagem de Larry Rohter que focava a preocupação nacional com o suposto hábito de beber de Lula.


A reação imediata do presidente foi pedir a expulsão do jornalista do Brasil, mas, perante a liberdade de imprensa e uma carta de desculpas de Rohter, Lula da Silva voltou atrás na decisão.

Fonte:
http://www.record.pt

Leia mais:
http://www.correioweb.com.br/hotsites

10.6.06

Livro analisa a Igreja como censora de livros no Brasil



Um olhar sobre a crítica literária católica praticada no início do século no Brasil. O tema é lucidamente analisado pela autora, com vistas a denunciar
os equívocos da prática católica sobre
o discurso crítico


“A trajetória percorrida por Frei Pedro Sinzig nas múltiplas atividades por ele exercidas na censura à literatura no Brasil é pela primeira vez analisada de forma criteriosa e inovadora, o que contribui para um melhor conhecimento dos movimentos religiosos, sociais e institucionais do País. Para a memória da leitura e, principalmente, do papel da mulher-leitora, na sua função de guardiã dos bons costumes da moral, este estudo não só representa um grande avanço como incentiva novas trilhas de pesquisa. O olhar sobre a crítica literária católica, praticada no início deste século no Brasil, de tendência moralista conservadora, é lucidamente analisada pela autora, com vistas a denunciar os equívocos da prática católica sobre o discurso critico”. (Eneida Maria de Souza)

A VOZ DO VETO - A censura católica a leitura de romances
Aparecida Paiva
Ed. Autêntica - 1997


Para adquirir o livro direto da editora:
http://www.autenticaeditora.com.br/site/?p=details&pid=189

A Igreja e a proibição de livros (II)



Autor alemão conta a história dos livros proibidos pelo Vaticano

Por Rodrigo Zuleta (Efe/Berlim)

O historiador alemão Hubert Wolf, especialista em assuntos eclesiásticos, publicou recentemente um livro no qual aborda a história dos livros proibidos pelo Vaticano e tenta relembrar as discussões anteriores à sua censura.O livro, intitulado "Index, Der Vatikan Und Die Verbotene Bücher" ("Índice, o Vaticano e os Livros Proibidos") constata que a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e que intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes, como reação à reforma protestante e ao Iluminismo.

No século 19, quando a censura do Estado desapareceu paulatinamente na Europa e a censura religiosa deixou de ser praticada no mundo protestante, o índice se manteve e só foi abolido em 1966, sob o pontificado de Paulo 6º.Segundo Wolf, a decisão de quais títulos iriam para a relação de livros proibidos dependia, em boa parte, do censor do turno. Alguns se mostravam radicais e inflexíveis e viam atentados contra a fé em todas as partes, enquanto outros preferiam ser cuidadosos para evitar problemas com proibições de títulos que não se desviavam das crenças católicas.

Matéria completa:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada

A Igreja e a proibição de livros



Index Librorum Prohibitorum

A primeira lista de “Livros Proibidos” foi adotada no V Concílio de Latrão em 1515, então confirmada no Concílio de Trento em 1546 e sua primeira edição data do ano de 1557 como Index Librorum Prohibitorum e oficializada em 1559 pelo Papa Paulo IV, um homem considerado controverso e restritivo. A 32ª Edição publicada em 1948 incluía quatro mil títulos censurados.

O Index Librorum Prohibitorum é uma lista de publicações proibidas que foram consideradas heréticas pela Igreja Católica Romana, no ano de 1559 no Concílio de Trento (foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma 1545-1563), o Papa Paulo IV (1555-1559) em seu último ano de pontífice instituiu oficialmente na “Sagrada Congregação da Inquisição” a censura das publicações, não há surpresa alguma em relação à censura, visto que a Igreja sempre perseguiu qualquer linha de pensamento divergente desde o início do cristianismo, o que realmente surpreende é a relação dos nomes citados nesse Índice de Livros Proibidos.

Os Índices eram regras aceitas como um guia para o Censor Oficial que julgava se a obra tinha algo fora dos critérios da Igreja Católica, qualquer manifestação de deficiência moral, sexualidade explícita, incorreção política, superstição, paixões carnais, heresias enfim...Era imediatamente punida, ou seja, seu autor era prontamente um candidato para a Lista Negra, tendo sua obra proibida, queimada. (Retirado do site www.misteriosantigos.com)



Na íntegra e com alguns títulos de livros censurados
que constam no Index:
http://www.misteriosantigos.com/librorum.htm

9.6.06

Livro sobre Aleijadinho sofreu censura em 2003



Uma liminar da justiça brasileira, favorável ao colecionador Renato Whitaker, proibiu a comercialização do livro ‘Aleijadinho
e sua oficina’ em 2003


Por Ilana Goldstein (22.07.2003)

No Brasil, um processo recente pôs em evidência o quanto a contestação da autenticidade de uma obra de arte gera polêmica, não exatamente estética, mas financeira.

O colecionador brasileiro Renato Whitaker, possuidor de esculturas atribuídas a Aleijadinho, tentou impedir, na justiça, a publicação de um livro revisitando o legado deste grande nome do barroco mineiro.


Na obra intitulada O Aleijadinho e Sua Oficina, da Editora Capivara, dois pesquisadores defendem que a maioria das estátuas de Aleijadinho teriam sido feitas por seus aprendizes. Trata-se de um vasto trabalho de catalogação da obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, cuja primeira edição fora inteiramente apreendida por determinação da Justiça. O colecionador brasileiro havia alegado que a publicação lhe traria “danos morais”, mas a Justiça de São Paulo acabou liberando, há pouca semanas, a comercialização do livro em questão. Um dos argumentos foi o de que se trata de obra científica, buscando a verdade histórica e não benefícios ou prejuízos pessoais. O juiz não só liberou a circulação da obra, como também negou o pedido de indenização feito por Whitaker e suspendeu o chamado "segredo de Justiça" que cercara o processo. Vitória da liberdade de expressão.

Matéria completa:
http://port.pravda.ru/culture/2003/07/22

Revista MUSEU sobre o fato:
http://www.revistamuseu.com.br/noticias (apreensão)
http://www.revistamuseu.com.br/noticias (protesto da editora)
http://www.revistamuseu.com.br/noticias (liberação do livro)

6.6.06

IBGE - Censura prévia e controle da informação



"Censura prévia" no IBGE: desgraça pouca é bobagem

Por Luiz Weis - 01.02.2005

A medida idiota é a portaria assinada pelo ministro interino do Planejamento, Nelson Machado, que manda o IBGE encaminhar ao governo, pelo menos 48 horas antes de tornar públicas, as suas pesquisas chamadas estruturais, como a Síntese de Indicadores Sociais, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e a Pesquisa de Orçamentos Familiares.

Segundo o ex-presidente do IBGE entre 1994 e 1998, Simon Schwartzman, citado pelo Globo, no seu tempo essas pesquisas já eram enviadas dois dias antes, "pratica usada em qualquer parte do mundo".

Segundo O Estado de S.Paulo, citando o IBGE, no tempo de Fernando Henrique o governo exigia conhecimento prévio de duas horas não daquelas, mas das pesquisas chamadas conjunturais, como a Pesquisa Mensal de Emprego e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Nesses casos, em 2003, o governo Lula aumentou o prazo para um dia – e acaba de aumentar para dois, nos demais.

Artigo completo:

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br

5.6.06

Tentativa de censura em Mato Grosso do Sul



O artista plástico Evandro Prado sofre retaliações por usar a religião em suas obras de crítica à sociedade de consumo

Por Tainara Rebelo e Patrícia Belarmino
(Paliteiro/UFMS)

No dia 11 de maio, teve início no MARCO (Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande) a exposição “Habemus Cocam”, do artista plástico Evandro Prado. A obra é composta por telas, assemblagens, gravuras e objetos representando 3 segmentos: a religião, o consumismo e a arte publicitária.

A exposição está sendo alvo de diversas críticas, já que muitos por não terem um bom conhecimento de arte contemporânea podem não conseguir entender o que está sendo nelas retratado, mas isso, para o artista, já era esperado. Ele mesmo afirma que tem por objetivo questionar as pessoas a respeito da realidade consumista, onde há uma inversão de valores muito grande. Alguns integrantes da sociedade estão dizendo que a exposição é uma blasfêmia, uma piada, porém, o artista diz que é uma denúncia da troca de valores que está acontecendo na nossa sociedade.





Matéria completa:
http://www.paliteiro.com.br

Site do artista Evandro Prado:
http://www.evandroprado.com.br

Notícia da tentativa de censura pelo Apostolado Defesa Católica:
http://www.campogrande.news.com.br

Disco de Taiguara censurado em 1976 não entrou em catálogo até hoje



Participe do movimento pelo repatriamento do disco Imyra, Tayra, Ipy do Taiguara

Fruto de uma união de talentos poucas vezes vista na historia da MPB e considerado até os dias de hoje uma inovadora obra prima, o Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara é um importantíssimo patrimônio cultural Brasileiro. A trajetória de Taiguara, um de nossos maiores compositores, carrega toda uma história de perseguição e boicote nas mãos da ditadura militar, quem recolheu o disco das prateleiras apenas 72 horas após o lançamento. No ano de 1976, este trabalho foi censurado e nunca mais disponibilizado em nossa terra. Em 2002, o disco foi lançado exclusivamente no mercado Japonês, tornando-se disponível para compra apenas em sítios estrangeiros. O reconhecimento internacional de nossas riquezas sempre será algo positivo, porem não é justo que o próprio Brasileiro tenha difícil acesso a uma parte tão importante de sua herança cultural. O Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara pertence ao povo Brasileiro!

A campanha de repatriamento é um apelo a gravadora para disponibilizar esta obra na sua terra natal. Ao aderir, você estará contribuindo em defesa da preservação de nossa cultura, e assim, cumprindo um dever cívico para cada Brasileiro que se orgulha de suas raízes. Agradecemos sua cooperação e esperamos poder contar com o auxilio de cada um de vocês para a divulgação de nossa campanha entre amigos, familiares, espaços virtuais e publicações relevantes a projetos culturais. (texto extraído do site abaixo)


Visite o site e participe deste movimento:
http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/index.html

1.6.06

Rede Globo - Manipulando a massa



Roberto Marinho conseguiu proibir a exibição no Brasil do documentário da emissora inglesa Channel Four (Brazil: Beyond Citzen Kane) que mostra a Rede Globo como manipuladora da opinião pública - 1993

Documentário proibido completa 10 anos
(trecho de artigo de Antonio Brasil – 2003)

"Muito além do cidadão Kane", o documentário de Simon Hartog sobre a Rede Globo para a TV britânica está completando 10 anos. Por mais incrível que pareça, continua proibido para aqueles que seriam os principais interessados: os telespectadores brasileiros. Apesar de todas as mudanças em nosso país, o último trabalho de um grande documentarista permanece refém de artifícios jurídicos. Simon Hartog cometeu a ousadia de dirigir seu olhar sobre a nossa televisão e, no Brasil, é muito perigoso mexer com os interesses dos poderosos. A justiça se tornou desculpa para "censura". Em contrapartida, criou-se uma grande rede de vídeos piratas, que se encarrega de divulgar de todas as maneiras possíveis o documentário mais proibido do Brasil. Mais uma forma de resistência da guerrilha tecnológica pela Internet. O vídeo costumava ser acessado no site de militantes como o Antenor Camargo Neto, mas, infelizmente, o provedor está temporariamente "fora do ar". Mistérios da Internet.

Artigo completo:
http://www.videotexto.tv/ab_docproibido_dezanos.html

Outro artigo sobre o documentário:
http://www.tognolli.com/html/mid_kane.htm

Para baixar o documentário:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml

Roriz - O censor do DF



Correio Braziliense foi censurado em 2002 a mando do Roriz

Às dez horas da noite de ontem (23.10.2002), o Correio Braziliense recebeu a visita da censura. Munidos de ordem judicial, o oficial de Justiça Ricardo Yoshida e o advogado da Coligação Frente Brasília Solidária, Adolfo Marques da Costa, entraram na redação do jornal com a missão de censurar toda reportagem que transcrevesse trechos de uma gravação realizada com autorização judicial e que relacionasse o governador Roriz com os irmãos Passos.

A decisão do desembargador Jirair Meguerian determinou a ..busca e apreensão, com arrombamento ou entrada compulsória, na sede, se houver necessidade.../de todos os exemplares do jornal Correio Braziliense, edição de 24.10.2002, desde que publique trechos ou a íntegra de conteúdo das fitas de gravação das conversas telefônicas interceptadas por ordem judicial...


Matéria do Correio Braziliense:
http://buscacb2.correioweb.com.br/correio/2002/10/24/

Leia mais no Observatório da Imprensa:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/