26.7.06

Fotógrafo moçambicano foi censurado em 2003 por motivos religiosos em exposição africana




A exposição "Iluminando Vidas – Fotografia Moçambicana 1950-2001" apresenta diversos fotógrafos de Moçambique em exibições itinerantes pelo continente africano e europeu. Em Bamako, capital de Mali, o moçambicano José Cabral teve suas fotografias retiradas da exposição por motivações religiosas. Suas fotografias apresentavam mulheres nuas. O fotógrafo tentou negociar com a curadoria, mas não obteve êxito em manter seu trabalho completo na exposição. Ao invés das três fotografias selecionadas, para integrar à exibição, apenas uma seria exposta. Cabral não se furtou em manifestar sua indignação e escreveu ao lado da fotografia que permaneceu "as minhas outras fotografias não foram expostas porque foram censuradas".




Site do projeto Iluminando Vidas:
http://www.iluminandovidas.org/

Perfil do fotógrafo:
http://www.iluminandovidas.org/pages/jose.html


Dados de José Cabral:
http://www.artafrica.gulbenkian.pt/html/artistas/

Informações sobre a censura:
http://www.zapper.xitizap.com/xitizap%208/page2.html

25.7.06

Governo Bush censurou a MTV em 2004?

Supostamente, três anúncios da MTV americana
foram impedidos de veiculação por minimizarem
o atentado do WTC diante da AIDS, da fome
e da miséria. Alguém duvida?




Texto ao lado dos prédios do World Trade Center:

2.863 mortes
Texto do cartaz:
HIV positivo, por favor ajude-me
Texto ao lado do homem:
40 milhões de infectados no mundo
O mundo unido contra o terrorismo
Deviam fazer o mesmo contra a AIDS



Texto ao lado dos prédios do World Trade Center:
2.863 mortes

Texto ao lado e abaixo do menino:
824 milhões de pessoas desnutridas no mundo

O mundo unido contra o terrorismo
Deviam fazer o mesmo contra a fome



Texto ao lado dos prédios do World Trade Center:
2.863 mortes

Texto ao lado do homem:
630 milhões de indigentes no mundo

O mundo unido contra o terrorismo
Deviam fazer o mesmo contra a pobreza

Repercussão da censura em site norte-americano:
http://www.couplescompany.com/Features/Politics/2005

Clipe dos Strokes foi censurado na MTV



Fãs cultuam clipe gay censurado dos Strokes

O diretor do mais recente clipe do grupo nova-iorquino "The Strokes" acusou a MTV de censurar o vídeo, que traz cenas de carícias e beijos trocados entre jovens do mesmo sexo.

Em protesto, Michael Palmieri decidiu exibir o clipe sem cortes em seu site --baixado atualmente por fãs no mundo inteiro. Imagens de línguas, cuecas, calças arriadas e de um orgasmo foram cortadas na edição.

O vídeo é da música "Juicebox", do álbum recém-lançado "First Impressions of Earth". O clipe mostra gestos libidinosos de uma senhora, beijos entre garotas, pegação masculina em banheiro e vômitos.No vídeo, a banda aparece em apresentação ao vivo em uma emissora de rádio em Nova York. Para os fãs, é o clipe mais ousado do grupo mesmo após os cortes. No Orkut, já existem comunidades cultuando o clipe.

Matéria na íntegra (Folha Online 19.01.2006):
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u56962.shtml

Veja o clipe no site do diretor Michael Palmieri:
http://www.michaelpalmieri.com/musicvideos/strokes_juicebox.mov

22.7.06

Censura em revista de HQ em Joinville



Banda Grossa: quadrinhos sob ameaça de censura em Joinville

Os editores da revista de humor Banda Grossa, de Joinville/SC, receberam apoio da Fundação Cultural local, na forma de dinheiro, para editar a publicação.

No entanto, a Câmara dos Vereadores de Joinville quer de volta o dinheiro liberado, cerca de nove mil reais, por considerar que o projeto apresentado não mencionava nada sobre sexo, pedofilia e uso de drogas, assuntos abordados na revista, e que consideram uma baixaria inaceitável, que ofende a moral e os bons costumes.

Paulo Gerloff, editor da Banda Grossa, ressalta, porém, que constava nesse projeto que seria uma publicação nos moldes da Chiclete com Banana, Piratas do Tietê e Circo, revistas de humor da década de 1980. E que aparece claramente na capa que a publicação é "desaconselhável para menores".

Fonte:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2006/n10072006_09.cfm

15.7.06

Márcia X - 60 dias da censura no CCBB



Enquanto o tempo passa, a mediocridade cala e a política esquenta...

Completos, hoje (15/07), dois meses da não inauguração, em Brasília, da exposição Erótica–Os Sentidos da Arte.

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) cancelou a exposição atendendo à pressão de membros de seitas fundamentalistas católicas e após telefonemas de representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


A obra "Desenhando com terços", de Márcia X, foi retirada da exposição após ter sido exibida sem problemas em São Paulo. Porém, a provinciana Igreja do Rio de Janeiro e seus fiéis apadrinhados políticos chantagearam o CCBB para que censurassem a obra e a diretoria do Banco Brasil, cedeu, acatou.

Após o fato, vários artistas, que faziam parte da exposição, protestaram e afirmaram que retirariam também suas obras. A curadoria e diversos profissionais do CCBB ainda tentaram interceder para que não se proibisse a obra de Márcia X.

Com o rumo dos acontecimentos, o assunto chegou à superintendência do Banco do Brasil e lá foi decidido que a exposição não seria apresentada em Brasília.

Na seqüência, outras manifestações aconteceram em Brasília e no Rio de Janeiro com apoio de artistas, da ONG Da Vida, da grife Daspu, e de empresários e cidadãos com senso crítico.
Novamente, em maio, outra censura. O prefeito do RJ, Cesar Maia, ordena a retirada de cartazes espalhados pela cidade, os quais reproduziam a obra em protesto contra sua proibição na exposição Erótica.

Nos bastidores, a figura de João Carlos Rocha, assessor de César Maia, articulador político do PFL Jovem, fundador da Opus Christi, e aliciador de menores e jovens via Orkut para aumentar o rebanho religioso fundamentalista e engrossar o caldo de jovens na política via PFL.


Uma das armas usada nessa vitória da censura contra a liberdade de expressão, foi a remessa de e-mails e ampla publicação de mensagens nos scraps de várias pessoas incitando e convocando a atitude de fiéis (ameaçando retirada de contas corrente) perante o Banco do Brasil.

Houve, ainda, no decorrer da armação censora, por parte de adolescentes e fiéis ligados a Opus Christi, ameaça de demissão a funcionários do CCBB, xingamentos, desmoralização e desrespeito a cidadãos e mulheres (estendendo a seus filhos), ameaça de processo a este blog (Observatório da Censura) e toda ordem de baixaria, para coibir a liberdade de pensamento e sua expressão.

Ou seja, jovens em formação sendo usados como “mensageiros” de objetivos maiores, de mentores escondidos nos bastidores. Prática, também, vista em outros meios escusos e até mesmo criminosos. Logicamente, prática negada pelo prior João Carlos Rocha.

Saldo final:
Vitória do capital sobre a cultura.
Vitória dos obscurantistas.
Vitória dos jovens politiqueiros que fazem da religião, palanque eleitoreiro.
Vitória das manobras e do poder.
Vitória de um Brasil analfabeto, atrasado e hipócrita.
Viva o povo brasileiro!
Amém!

Censura Jamais, divulgue essa idéia.



Observação: Decidimos não expor aqui os jovens personagens ligados a esta intricada rede de deturpação de valores (pregam X e praticam seu oposto), por serem em grande parte menores de idade. Contudo, temos um dossiê gravado em html mostrando a formação da teia e sua atuação no orkut, para usarmos no caso de ameaças quanto à veracidade das informações citadas aqui.

12.7.06

Censura da Igreja galeciana



Peça teatral do ator italiano Leo Bassi sofre pressão da Igreja para que seja retirada da programação de festival de teatro independente na Espanha

O "Festival Manicômicos" acontece anualmente na cidade de A Coruña, na região da Galícia, Espanha. Na sua terceira edição, que ocorre entre 1 e 16 de julho, conta com o popular ator italiano Leo Bassi e sua encenação de "A Reveleção". A peça de Bassi é apresentada na programação do festival pelo próprio autor:

"Vivemos um enorme paradoxo. Nunca tivemos tanta tecnologia, nunca a ciência foi tão longe em tão pouco tempo, porém, já há muitos anos vemos a volta do pensamento obscurantista das seitas (cientologia...etc), dos fundamentalismos e vários esoterismos que surgem com força nos EUA. 55% dos americanos acreditam que a bíblia explica as origens do universo e que este foi criado há apenas 6000 anos. Um dos grandes acontecimentos que se discute nos tribunais americanos é saber se Darwin e sua teoria evolucionista devem ser ensinados nas escolas. Aqui, na Espanha e na Itália, os Legionários de Cristo e outros fundamentalistas cristãos, inspirados por um velho Papa intransigente, tentam despertar os velhos demônios da repressão sexual, situando-se ideologicamente não muito distante dos seus velhos rivais monoteístas do Islam. Parece mentira, mas até na nova constituição européia, o texto final deu lugar a duras batalhas para saber se se devia incluir ou não um aparte citando as raízes cristãs do continente e contudo não se dedicou nenhuma palavra a questionar se a filosofia grega e latina mereciam também o reconhecimento como alicerces fundamentais à formação da Europa".

"Eu, Leo Bassi, como bufão que sou, sinto que chegou a hora de começar a luta para salvar a inteligência. Em nome de Descartes, Averroes, Sócrates, Confúcio, Kant, Einstein e dos filósofos e cientistas de todos os tempos, eu digo 'Até aos Colhões!' com tanta superstição dos vendedores de obscurantismo e de medo. Preparem-se: chegou a hora da nova 'Revelação'".

A organização do festival se recusou a atender aos pedidos de retirada da peça de sua programação e foi ameaçada a perder o patrocínio governamental do evento.





Manifesto dos organizadores do festival:
http://festivalmanicomicos.blogsome.com

Repercussão da notícia na Espanha:
http://www.lukor.com/not-esp/locales/portada/06031802.htm

Matéria sobre o protesto dos católicos
políticos contra a exibição da peça:
http://www.elmundo.es

Site do ator:
http://www.leobassi.com

6.7.06

Dom Eugênio Sales e a censura (VI) – Vítima do Movimento Gay? (2004)



De censor a censurado

O fundador da obscura Opus Christi insurgiu, em 2004, contra o que chama de tentativa de “SILENCIAR, CHANTAGEAR e COAGIR o direito legitimo do Cardeal Sales” de falar contra o homossexualismo em suas pregações e artigos:

“Dezenas de ações particulares foram protocoladas em várias Varas Judiciais com o intuito de impedir o Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro de se pronunciar em seus artigos acerca do ato vergonhoso e pecaminoso do homossexualismo”, escreveu o prior da Opus Christi.

Realmente o cardeal deve ter o direito de emitir suas opiniões sobre o que julgar pertinente. Independente de quais sejam essas opiniões, ele tem o direito de externá-las, mesmo que tenha por hábito adotar o papel de censor. A ironia é que o jovem defensor do cardeal foi o mesmo indivíduo que adotou as práticas anteriores de Dom Eugênio Sales ao CHANTAGEAR e COAGIR o Banco do Brasil a SILENCIAR a Márcia X ao retirar sua obra da exposição
“Erótica – Os Sentidos da Arte”
.

Tanto o Movimento Gay não deve calar o cardeal, como o cardeal e seus apadrinhados políticos não devem censurar os gays, os artistas plásticos, os carnavalescos, os publicitários, os ateus, as emissoras de TV, os estilistas, nem ninguém que seja contrário aos dogmas caducos da Igreja Católica. Que se dê voz a Dom Eugênio Sales e a todos os outros indivíduos que não contam com a força de uma instituição milenar por trás de seus feitos.

ABAIXO A CENSURA!

Veja a defesa apaixonada na CMI do fundador da Opus Christi contra a censura:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/08/288546.shtml

Dom Eugênio Sales e a censura (V) – Publicidade (2000)



Dom Eugênio Sales se julga o detentor legal dos direitos de uso da imagem do Cristo Redentor (do Corcovado). Qualquer veiculação da imagem deve passar pelo crivo do cardeal. Não adiantou a queixa dos publicitários cariocas, o principal cartão–postal do RJ está sob a tutela das mãos-de-ferro de Dom Eugênio.

Nem Ronaldinho escapou da reprovação de Dom Eugênio Salles. Em 1998, o jogador apareceu em um comercial da fábrica de pneus Pirelli imitando a estátua sobre o Morro do Corcovado. Na época jogando pelo Internazzionale de Milão, Ronaldinho posou para a campanha da Pirelli com a camisa 10 do time, descalço e com os braços abertos em uma montagem fotográfica sobre a Baía da Guanabara. O arcebispo concordou que a intenção de Ronaldo não era ofender a Igreja Católica, mas disse que a empresa passou dos limites e deveria se retratar publicamente.


Igreja ameaça processar quem usar imagem de Cristo sem autorização
(artigo publicado no site Janela Publicitária em 14.07.2000)

Até parece que já estão resolvidos todos os problemas sociais e políticos do Brasil com que a Igreja Católica em tempos saudosos se envolvia. Tanto que, nas últimas semanas, a Igreja Católica pôde se dedicar a uma polêmica, ao que parece, fundamental para o futuro do catolicismo: o uso abusivo que, segundo D. Eugênio Salles, muitas agências de publicidade estão fazendo da imagem da estátua do Cristo Redentor, cujos direitos, garante ele, pertencem à Igreja.

Tal como em tempos mais tenebrosos, a Igreja Católica ameaçou mandar para a fogueira – desta vez, ao menos, dos tribunais de justiça- as agências de publicidade que decidissem publicar anúncios com a imagem da estátua sem antes pedirem a aprovação formal da autoridade religiosa.

Para o mercado publicitário, a notícia foi interpretada exatamente sem meias-palavras: as lideranças da Igreja Católica no Rio de Janeiro resolveram decretar a volta da censura prévia, da mesma forma que os militares exigiam aprovar livros e músicas para uma pretensa defesa dos símbolos nacionais.

Uma das questões mais discutidas pelos publicitários é se a estátua do Cristo Redentor é uma imagem religiosa ou um símbolo do Rio de Janeiro. ‘O Cristo Redentor é um Pão de Açúcar’ declarou Marcos Silveira, da agência Doctor, que já recebeu uma vez o protesto da Igreja por utilizar a imagem da estátua em um anúncio da DuLoren. Silveira chega a propor que se a Igreja insistir com a tese, uma solução é ‘os cariocas fazerem uma vaquinha para comprar a estátua da Igreja e doar para a cidade do Rio de Janeiro’.

Curiosidade, nenhuma entidade ligada à criação publicitária se manifestou com protesto à censura da Igreja. A reação oficial veio da Abap-Associação Brasileira de Agências de Publicidade , cujo presidente do capítulo Rio, Arnaldo Cardoso Pires, considerou a atitude da Igreja Católica como ‘um absurdo completo’. Para Arnaldo, o Cristo Redentor é claramente um símbolo carioca e apenas por esta razão é usado na publicidade. ‘Não é o Cristo na cruz que a publicidade usa e sim uma estátua que ganhou importância porque está integrada ao Corcovado e à natureza exuberante do Rio de Janeiro’, lembra ele.

Leia este artigo completo no site Janela Publicitária:
http://www.janela.com.br/anteriores/Janela_2000-07-14.html

Dom Eugênio Sales e a censura (IV) – MTV (2000)



Arcebispo D. Eugenio Sales censura desenho animado na MTV

Dois episodios de "Deus é Pai - A Série", de Allan Sieber, que vinham sendo exibidos na MTV no programa Gordo a Go-Go, foram retirados da programacao da emissora por ordem de d. Eugenio Sales, que com um simples telefonema censurou os pilotos encomendados pela propria MTV.


Como é que foi a história da tua animação que foi censurada na MTV?
O negócio da MTV é o seguinte: em 99 eu fiz um curta chamado Deus é Pai. E inscrevi em Gramado, sem pretensão alguma. Que em Gramado tem um lance que, se você é gaúcho, seu filme vai passar lá na mostra gaúcha. Então eu fiz na verdade pra isso. Mas pra minha surpresa o filme foi selecionado para a mostra oficial. Aí, puta, deu super certo. Ganhou uns prêmios, a exibição lá foi ótima, todo mundo reagiu muito bem e tal. Aí, em 2000 a MTV me procurou para fazer pequenos pilotos de uma série baseada no Deus é Pai. Eu fiz dois pilotos de dois minutos cada um. Um chamado Zoando o Barraco, que era tipo, Deus vai viajar e deixa Jesus em casa. Ele aproveita e faz uma puta festa, assim, horrorosa (Risos). A outra era Regulando a Mesada, que era tipo, Deus corta a mesada de Jesus. Daí ele tenta descolar dinheiro, pedir pros amigos… Só que ninguém empresta pra ele. Aí, resumindo, ele meio que vira um traveco (Risos). Com uma bolsinha, e tal. Aí, esse especificamente, do Regulando a Mesada, passou uma vez na MTV e imediatamente… Na verdade é uma história nebulosa, mas pelo que eu sei um assessor do Dom Eugênio Salles, que era Arcebispo do Rio na época, ligou pra lá e fez um puta escarcéu, que era um absurdo! Daí o curta nunca mais passou e a série não deslanchou e tal. Eu achei uma pena porque tinha potencial. É uma história na verdade muito idiota, muito básica. Tipo Deus e Jesus numa situação familiar. E é muito pop: todo mundo conhece eles. Eu achava que podia dar certo uma série sobre isso. E até daria, mas não consegui viabilizar por conta desse freio religioso”.

Veja a entrevista completa com Allan Sieber o autor da animação:
http://www.osarmenios.com.br/?p=16




Outra entrevista em que o autor fala sobre a censura:
http://www.dantas.com/realidadebr/rn/catolica/c270800.htm

Assista alguns episódios da série disponíveis no YouTube:
Na psicóloga
Festa
Mesada

Dom Eugênio Sales e a censura (III) – Carnaval (2004)



Em 2004 Dom Eugênio Sales já havia deixado o posto para Dom Eusébio Scheid, mas sua influência e estilo político permanecem inalterados nas ações da Igreja no RJ.

Igreja protesta contra carro dedicado ao Kama Sutra

O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro criticou a Escola de Samba Grande Rio, de Duque de Caxias, por ir apresentar no Carnaval um carro alegórico dedicado ao "Kama Sutra". A Escola de Samba está a finalizar a montagem de um carro com posições sexuais do "Kama Sutra" que desfilará nos dias 23 e 24 de Fevereiro no sambódromo do Rio de Janeiro. O tema da apresentação da Escola de Samba Grande Rio será "Vamos vestir a camisinha meu amor".

"Se o carro for desacreditar o Carnaval perante o mundo através de cenas indecorosas e inaceitáveis a Justiça deveria intervir", disse quarta-feira D. Eusébio Scheid, no Rio de Janeiro, durante uma missa dedicada ao Dia de São Sebastião. O presidente da Grande Rio, Hélio Ribeiro de Oliveira, considerou a atitude do cardeal-arcebispo D. Eusébio Scheid precipitada e garantiu que o carro não "agredirá ninguém". "Não seríamos tão irresponsáveis ao ponto de mostrar para o mundo inteiro imagens que não pudessem ser vistas por qualquer pessoa, inclusive crianças", disse.

Hélio Ribeiro convidou D. Eusébio Scheid a visitar o local onde está a ser preparado o carro alegórico que desfilará no Carnaval do próximo mês no Rio de Janeiro. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro escusou-se a comentar o convite e a revelar que passos daria para impedir a apresentação.

O responsável pela encenação do carro da Escola de Samba Grande Rio, Joãosinho Trinta, disse que se recusa a fazer qualquer alteração à alegoria do "Kama Sutra" e acusa a igreja católica de "continuar medieval". "O enredo é educativo e conta uma história milenar, com uma mensagem altamente positiva para jovens e adultos", disse Joãosinho Trinta.

A Justiça brasileira proibiu há 15 anos o desfile de um carro alegórico encenado por Joãosinho Trinta com o tema "Ratos e Urubus larguem a minha fantasia", que apresentava um "Cristo Redentor Mendigo". Apesar da proibição para o desfile, Joãosinho Trinta fez desfilar no carro a imagem de Cristo coberta com um plástico preto como protesto pela decisão judicial.



Fonte da matéria: Diário dos Açores
http://da.online.pt/news.php?id=56086

Dom Eugênio Sales e a censura (II) – Carnaval (1989)



"Mesmo Proibido, Olhai por Nós"

Artigo de André Luiz Porfiro (Universidade do Rio de Janeiro – UniRio)

“Apesar de toda importância e respeito adquiridos pelas Escolas de Samba ainda hoje se faz necessária à criação de estratégias para a apresentação de imagens religiosas ligadas ao catolicismo nos seus desfiles. A Beija-Flor de Nilópolis a partir do final da década de 80 do século passado começou a sofrer repreensões da Igreja Católica no desenvolvimento criativo de sua performance. No desfile de 1989 'Ratos e Urubus Larguem Minha Fantasia' no carro abre-alas, uma escultura de um Cristo esfarrapado cercado por atores travestidos de mendigos foi proibida de ser apresentado, na véspera do desfile, pela justiça, a pedido da Cúria Metropolitana. A Beija-Flor cercada por um lado, pelo regulamento do desfile que exigia a alegoria por fazer parte da proposta do enredo, e por outro, pela liminar da justiça, foi obrigada a criar uma estratégia de apresentação. Cobriu a escultura do Cristo esfarrapado com plástico preto, deixando transparecer a sua forma. Transversalmente de um braço a outro uma enorme faixa trazia a frase "Mesmo Proibido Olhai por Nós". O impacto da escolha de cobrir o Cristo foi considerado maior do que possivelmente seria sua apresentação. Simbolicamente o oculto tornou-se presente e disseminou a imaginação da platéia estupefata com a performance beija-florina”.

Artigo na íntegra:
http://www.hemi.nyu.edu/eng/seminar/usa/workgroups/



Depoimento de Gabriela Silva Leite, fundadora da ONG Davida,
sobre o desfile censurado:


“Houve um ano em que também desfilei na Beija-Flor, no histórico carnaval do grande Joãosinho Trinta: "Ratos e urubus larguem minha fantasia". Esse carnaval que marca um novo período na história do samba aconteceu em 1989. Havia um grande Cristo mendigo e a Igreja Católica conseguiu uma liminar para que aquele Cristo não desfilasse. Joãosinho cobriu a escultura do Cristo com um grande plástico negro (igual ao que o MST faz suas barracas). No desfile das campeãs (Beija-flor ficou em segundo lugar) lá estava outra vez o Cristo mendigo coberto. No meio da avenida o desfile parou. O povo na arquibancada gritava: "Tira, tira, tira..." Pessoas pulavam o alambrado e começaram a descobrir o Cristo. Foi lindo: mas uma vez o povo de Deus venceu a instituição religiosa!”

Fonte:
http://www.beijodarua.com.br/

Dom Eugênio Sales e a censura (I) – Biquinis (2001)



Cristo Redentor em maiô. Não pode

“Em julho de 2001, durante os desfiles da 8ª Semana BarraShopping de Estilo, os donos da Salinas, Antônio e Jacqueline De Biase, tiveram que se desculpar com o então arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, depois de ele ter entrado com uma queixa-crime pelo uso da imagem do Cristo Redentor na estampa de maiôs e biquínis griffe. A Salinas teve que se comprometer a não usar mais a imagem na coleção, inspirada na arte naïf, com reproduções da tela Rio Eu Gosto de Você, de Lia Mittarakis. De acordo o arcebispo, os estilistas tiveram um "desejo propagandístico de chocar". A "profanação" ao símbolo virou acusação de ofensa ao sentimento religioso”.
(Jornal O DIA)



Matéria completa do jornal O DIA:
http://odia.terra.com.br/especial/outros/cristo70/historia3.htm



Veja abaixo outra matéria sobre o tema no Jornal do Brasil (28.07.2001)

Maiôs com as estampas de Cristo ficam fora do verão
Reação da Arquidiocese faz grife cancelar lançamento das peças polêmicas


Por Léa Agostinho

Se depender da Igreja Católica, o pecado ficará bem longe das praias do Rio no próximo verão. Lançada na Semana de Moda BarraShopping, a coleção de biquínis e maiôs com estampas do Cristo Redentor foi excomungada pela Arquidiocese do Rio, que entrou na Justiça pedindo o confisco das peças e a condenação da fabricante, a grife Salinas. A Arquidiocese entendeu que as estampas representam uma ofensa ao sentimento religioso. De acordo com o procurador do cardeal Eugenio Sales, Antônio Passos, o Redentor é propriedade registrada da Arquidiocese e não pode ser usado com fins lucrativos.

Jaqueline De Biase, dona da grife, levou um susto, quando soube da decisão. ''Em momento algum tivemos a intenção de ofender o sentimento religioso usando a imagem do Cristo. Não queria criar polêmica. O desfile foi em homenagem ao Rio e a Arte Naïf'', afirmou. Diante do fato, Jaqueline não pensou duas vezes. Decidiu retirar as quatro peças (dois maiôs, uma camiseta e uma bermuda) da coleção que estampavam o Cristo Redentor. Como as peças não tinham entrado em produção, a Salinas não chegou a ter prejuízo.

4.7.06

Artigo - Opus Dei, Geraldo Alckmin e a Censura

Por Adriano Kassawara de Castilho

Após o sucesso da ficção "O Código da Vinci", entrou em cena um grupo antes discreto e desconhecido: a Opus Dei, ou "Obra de Deus". Com denúncias fantasiosas acerca da instituição, o livro e posterior filme quase foram censurados em diversos países. Poucas vezes uma obra comercial causou tão acirrados debates internacionais, e a Opus Dei finalmente foi percebida. Quando veio à tona a formação religiosa do candidato à Presidência Geraldo Alckmin, suspeitamente ligada à Obra, passou-se a questionar sua capacidade de manter uma postura laica, imparcial e favorável à liberdade religiosa e artística, postura esta exigida pelo cargo ao qual está se postulando. Desde então, pululam denúncias acerca de suas relações devassas com a extrema direita cristã.

O que é, enfim, a Opus Dei?

A Opus Dei, fundada em 1928 pelo católico espanhol Josemaría Escrivá, é uma prelazia pessoal (espécie de circunscrição da Igreja) católica, cujo objetivo declarado é difundir os ensinamentos cristãos. Muito além de uma simples agremiação de religiosos, é uma peça-chave do Vaticano na dispersão de suas idéias tradicionalistas e reacionárias, atuando ativamente no combate a movimentos como a Teologia da Libertação e na censura de manifestações que vão de encontro aos ideais cristãos.

Talvez o mais surpreendente na Obra seja a existência de um Index Librorum Prohibitorum: uma lista de obras proibidas para os membros da instituição. A prática reedita uma histórica atrocidade da Igreja Católica Romana, presente na época da Inquisição, quando a Igreja ordenava a destruição de obras contrárias a seus dogmas. Classificados de 1 (livros pouco recomendados) até 6 (livros expressamente proibidos, para os quais é necessária autorização do Prelado de Roma), há, na lista de mais de 60 mil livros, autores de diversas nacionalidades e tendências, desde Karl Marx, Voltaire e Eça de Queirós até Paulo Coelho, Monteiro Lobato e Guimarães Rosa. A lista se mantém restrita aos seguidores da seita. Por enquanto.

Durante a corrida presidencial, tornou-se explícita a ligação de Geraldo Alckmin à Obra. Conforme denunciou a Revista Época, em edição de Janeiro/2006, o candidato freqüenta encontros noturnos do grupo no Palácio dos Bandeirantes. Segundo colegas das aulas de formação cristã, Alckmin não falta a nenhuma reunião; não deixou de comparecer nem mesmo durante a campanha pela reeleição, em 2002. Um de seus ensinamentos preferidos:
"acostuma-te a dizer que não", do fundador Escrivá, uma clara e inadmissível menção à censura. Quando questionado sobre suas ligações com a Opus Dei, Alckmin limita-se a negar, mas entra freqüentemente em contradição a respeito do assunto. A ligação com membros da Opus Dei teria começado na anulação do casamento da primeira-dama Lu Alckmin, que se casara e fora a Londres com o marido; lá, ao descobrir que este fazia parte de uma comunidade hippie, decidiu voltar. Para se casar na Igreja, Alckmin procurou a Obra, que intercedeu junto ao Vaticano e conseguiu a anulação do primeiro casamento de Lu.

Há mais evidências dos laços estreitos entre o ex-governador e alas conservadoras da Igreja: em Fevereiro de 2006, o ex-secretário da Educação Gabriel Chalita impediu que um terreno de 87 alqueires em Lorena fosse destinado à Unesp; o governo do Estado cedeu o terreno à TV e Rádio Canção Nova, da qual Chalita é apresentador. A Canção Nova é ligada à Igreja Católica, e dedica sua programação à difusão do ideal cristão.

É extremamente questionável a pertinência, em uma democracia que se julga laica, de valores fascistas e medievais como os defendidos pela Opus Dei. Assim, é também questionável a capacidade do candidato Alckmin de respeitar instituições inerentes a uma sociedade verdadeiramente democrática, como liberdade de expressão, pluralidade religiosa e laicismo do Estado. Resta a indignação e a luta para que não prevaleça o obscurantismo representado por Alckmin, Opus Dei e sua corja.

Index Librorum Prohibitorum, lista com livros proibidos pela Opus Dei:
http://www.opuslibros.org/Index_libros/guia2.zip

Matéria da revista Época acerca da ligação entre
Geraldo Alckmin e a Opus Dei:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/

Artigo da Agência Carta Maior revela denúncias sobre Alckmin,
incluindo cessão irregular de terreno à rádio católica:
http://agenciacartamaior.uol.com.br/

3.7.06

Formas de censura - Comprar direitos das obras de terceiros sem intenção de exibi-las



O filme "Amor, Estranho Amor", de Walter Hugo Khouri, lançado em 1982, está impedido de ser exibido e comercializado no Brasil devido a compra dos direitos da obra por Marlene Mattos, ex-empresária da Xuxa

"Marlene Mattos, a empresária e guardiã de Xuxa Meneghel, sempre fez de tudo para apagar do currículo da apresentadora a época em que, como modelo, posou nua para revistas masculinas e fez filmes eróticos. Ninguém pode dizer que ela não foi eficiente em sua proposta - conseguiu até recolher do mercado fitas de vídeo do filme Amor, estranho amor, em que Xuxa seduz um menino. Mais do que isso, fez dela a Rainha dos Baixinhos. Tudo isso nos tempos em que a Internet ainda não tinha globalizado o mundo e tornado impossível o controle de informações". (Anna Lee, em nota publicada na revista "Quem" da Editora Globo em 2001)

"Auxiliada pela empresária Marlene Matos, ela (Xuxa) soube, como ninguém, tirar partido de sua popularidade na televisão. Além dos contratos de licenciamento, fatura alto com a venda de discos e shows ao vivo, pelos quais recebe US$ 100 mil por apresentação. Também criou as Paquitas e os Paquitos, grupos de adolescentes que lhe rendem bom dinheiro com a venda de discos. Fora as atividades artísticas, Xuxa possui seis empresas, que incluem a rede de lojas O Bicho Comeu, a Xuxa Turismo e a Xuxa Internacional, com sede nas ilhas Cayman, paraíso fiscal do Caribe. Tanto sucesso e dinheiro tornaram o Brasil pequeno para Xuxa, que agora se lança com afinco na conquista do mercado internacional. Mas nem tudo foram rosas em 1991. Além da ameaça de um seqüestro, que a faz mergulhar em depressão, teve de lutar para conseguir que fosse proibida a distribuição em vídeo do filme Amor, estranho amor, do qual ela participou há muitos anos e em que seduz um menino de 12 anos." (Encyclopaedia Britannica do Brasil - Livro do Ano 1992 - Eventos de 1991, ISBN 85-7026-283-3, p. 394)

Amor estranho Amor é considerado pela crítica especializada um dos melhores filmes de Walter Hugo Khouri. O autor morreu em 2003 sem poder ver o seu filme ser lançado em DVD no Brasil.




Link para a nota na revista Quem:
http://quem.globo.com/edic/20010831/anna_lee.htm

Ficha técnica do filme:
http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/

Para comprar o filme na Amazon.com:
http://www.amazon.com/gp/product/

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