6.7.06

Dom Eugênio Sales e a censura (I) – Biquinis (2001)



Cristo Redentor em maiô. Não pode

“Em julho de 2001, durante os desfiles da 8ª Semana BarraShopping de Estilo, os donos da Salinas, Antônio e Jacqueline De Biase, tiveram que se desculpar com o então arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, depois de ele ter entrado com uma queixa-crime pelo uso da imagem do Cristo Redentor na estampa de maiôs e biquínis griffe. A Salinas teve que se comprometer a não usar mais a imagem na coleção, inspirada na arte naïf, com reproduções da tela Rio Eu Gosto de Você, de Lia Mittarakis. De acordo o arcebispo, os estilistas tiveram um "desejo propagandístico de chocar". A "profanação" ao símbolo virou acusação de ofensa ao sentimento religioso”.
(Jornal O DIA)



Matéria completa do jornal O DIA:
http://odia.terra.com.br/especial/outros/cristo70/historia3.htm



Veja abaixo outra matéria sobre o tema no Jornal do Brasil (28.07.2001)

Maiôs com as estampas de Cristo ficam fora do verão
Reação da Arquidiocese faz grife cancelar lançamento das peças polêmicas


Por Léa Agostinho

Se depender da Igreja Católica, o pecado ficará bem longe das praias do Rio no próximo verão. Lançada na Semana de Moda BarraShopping, a coleção de biquínis e maiôs com estampas do Cristo Redentor foi excomungada pela Arquidiocese do Rio, que entrou na Justiça pedindo o confisco das peças e a condenação da fabricante, a grife Salinas. A Arquidiocese entendeu que as estampas representam uma ofensa ao sentimento religioso. De acordo com o procurador do cardeal Eugenio Sales, Antônio Passos, o Redentor é propriedade registrada da Arquidiocese e não pode ser usado com fins lucrativos.

Jaqueline De Biase, dona da grife, levou um susto, quando soube da decisão. ''Em momento algum tivemos a intenção de ofender o sentimento religioso usando a imagem do Cristo. Não queria criar polêmica. O desfile foi em homenagem ao Rio e a Arte Naïf'', afirmou. Diante do fato, Jaqueline não pensou duas vezes. Decidiu retirar as quatro peças (dois maiôs, uma camiseta e uma bermuda) da coleção que estampavam o Cristo Redentor. Como as peças não tinham entrado em produção, a Salinas não chegou a ter prejuízo.