6.7.06

Dom Eugênio Sales e a censura (V) – Publicidade (2000)



Dom Eugênio Sales se julga o detentor legal dos direitos de uso da imagem do Cristo Redentor (do Corcovado). Qualquer veiculação da imagem deve passar pelo crivo do cardeal. Não adiantou a queixa dos publicitários cariocas, o principal cartão–postal do RJ está sob a tutela das mãos-de-ferro de Dom Eugênio.

Nem Ronaldinho escapou da reprovação de Dom Eugênio Salles. Em 1998, o jogador apareceu em um comercial da fábrica de pneus Pirelli imitando a estátua sobre o Morro do Corcovado. Na época jogando pelo Internazzionale de Milão, Ronaldinho posou para a campanha da Pirelli com a camisa 10 do time, descalço e com os braços abertos em uma montagem fotográfica sobre a Baía da Guanabara. O arcebispo concordou que a intenção de Ronaldo não era ofender a Igreja Católica, mas disse que a empresa passou dos limites e deveria se retratar publicamente.


Igreja ameaça processar quem usar imagem de Cristo sem autorização
(artigo publicado no site Janela Publicitária em 14.07.2000)

Até parece que já estão resolvidos todos os problemas sociais e políticos do Brasil com que a Igreja Católica em tempos saudosos se envolvia. Tanto que, nas últimas semanas, a Igreja Católica pôde se dedicar a uma polêmica, ao que parece, fundamental para o futuro do catolicismo: o uso abusivo que, segundo D. Eugênio Salles, muitas agências de publicidade estão fazendo da imagem da estátua do Cristo Redentor, cujos direitos, garante ele, pertencem à Igreja.

Tal como em tempos mais tenebrosos, a Igreja Católica ameaçou mandar para a fogueira – desta vez, ao menos, dos tribunais de justiça- as agências de publicidade que decidissem publicar anúncios com a imagem da estátua sem antes pedirem a aprovação formal da autoridade religiosa.

Para o mercado publicitário, a notícia foi interpretada exatamente sem meias-palavras: as lideranças da Igreja Católica no Rio de Janeiro resolveram decretar a volta da censura prévia, da mesma forma que os militares exigiam aprovar livros e músicas para uma pretensa defesa dos símbolos nacionais.

Uma das questões mais discutidas pelos publicitários é se a estátua do Cristo Redentor é uma imagem religiosa ou um símbolo do Rio de Janeiro. ‘O Cristo Redentor é um Pão de Açúcar’ declarou Marcos Silveira, da agência Doctor, que já recebeu uma vez o protesto da Igreja por utilizar a imagem da estátua em um anúncio da DuLoren. Silveira chega a propor que se a Igreja insistir com a tese, uma solução é ‘os cariocas fazerem uma vaquinha para comprar a estátua da Igreja e doar para a cidade do Rio de Janeiro’.

Curiosidade, nenhuma entidade ligada à criação publicitária se manifestou com protesto à censura da Igreja. A reação oficial veio da Abap-Associação Brasileira de Agências de Publicidade , cujo presidente do capítulo Rio, Arnaldo Cardoso Pires, considerou a atitude da Igreja Católica como ‘um absurdo completo’. Para Arnaldo, o Cristo Redentor é claramente um símbolo carioca e apenas por esta razão é usado na publicidade. ‘Não é o Cristo na cruz que a publicidade usa e sim uma estátua que ganhou importância porque está integrada ao Corcovado e à natureza exuberante do Rio de Janeiro’, lembra ele.

Leia este artigo completo no site Janela Publicitária:
http://www.janela.com.br/anteriores/Janela_2000-07-14.html